terça-feira, 5 de janeiro de 2010

A vingança de Valquíria

Particularmente, sou uma pessoa não muito a favor da vingança sendo paga na mesma moeda, principalmente quando a questão é a traição. Imagino que a sensação de dar o troco na mesma moeda possa até ser boa, até porque eu confesso que já tive meus momentos de dar o troco por meio de palavras, e todos eles foram realmente libertadores para mim.
Porém, quando alguém nos trai e nós revidamos traindo também, seja com um namorado ou de um amigo em que confiávamos, isso me faz pensar que estamos nos igualando a pessoa que nos traiu, nos tornando um reflexo daquilo que nos deu tanto repúdio.
Por outro lado, não tenho nada contra aqueles que preferem dar o troco na mesma moeda. Às vezes acho até que gostaria de fazer isso também, pois talvez seja uma maneira mais eficaz de se libertar da raiva e de fazer com que aquele alguém, que nos fez sofrer, se coloque de fato em nosso lugar.

Esse assunto me lembra uma colega, Valquíria, ela era casada havia algum tempo e sempre desconfiou de algumas "puladas de cerca" do marido. Ela me provou que uma vingança diferente da traição, pode ser até mais eficaz do que um troco devolvido na mesma moeda.
Em um dia comum, o marido dela chegou com uma roupa de cama para dar de presente a ela. Não demorou muito e Valquíria desconfiou, pois seu marido nunca dava presentes, ainda mais sendo um dia qualquer e uma roupa de cama que parecia ser muito cara.
- Que sem vergonha! Tá me traindo com alguma mulher que trabalha numa loja de roupas de cama!
As suspeitas se confirmaram no dia seguinte, quando ela resolveu conhecer a nova loja de roupas de cama que abrira na pequena cidade. Valquíria deparou-se com uma roupa de cama extremamente familiar, na verdade uma roupa de cama exatamente igual a que havia ganho. Encontrou então, a única mulher que trabalhava na loja, e que era inclusive a gerente. Sem pensar muito, perguntou:
- Boa tarde! Gostaria de saber se ontem veio aqui um homem chamado Manoel. Sou ESPOSA dele, ganhei uma roupa de cama deste modelo e gostaria de saber se ele a comprou aqui para trocá-la.
A mulher deu um sorriso estranho, segundo Valquíria era um sorriso do tipo maligno, sendo o suficiente para que ela encaixasse as peças do quebra-cabeça. Ela chegou a conclusão de que havia sido traída com aquela mulher que, por ser gerente, deu uma roupa de cama cara ao seu marido, a qual ele não poderia pagar.
Tentando disfarçar, a mulher respondeu:
- Sim, esse senhor veio e comprou essa mercadoria.
Valquíria tratou logo de descobrir aonde a mulher morava com os funcionários da loja. Com a informação em mãos, voltou para casa, e dessa vez disposta a tomar uma atitude mais enérgica, daquelas que podem mudar uma vida.
No dia seguinte, Valquíria foi bater na porta da casa da mulher. Imaginem a surpresa dela ao perceber que quem veio atender a porta era justamente seu próprio marido. Nem esperou, entrou na casa da mulher como uma louca e sem pensar muito começou a quebrar tudo o que via pela frente. O marido apenas pedia:
- Valquirinha meu amor, se acalme, vamos para casa, eu posso explicar tudo isso!
O ódio a dominou e ela deu um tapa no rosto da mulher que, acreditem, não revidou.
Valquíria encerrou gritando que iria se vingar, deu as costas aos dois e foi para casa. O marido também não demorou a voltar.
- Valquirinha, abre a porta para mim! Vamos nos resolver meu amor!
Ainda com raiva, ela respondia:
- Não posso abrir agora, estou com meu amante aqui em casa!!!
Claro que não havia amante algum, e o marido sabia disso. Ele acabou indo embora depois de muita tentativas sem sucesso.
Assim que o dia amanheceu, Valquíria foi se vingar. Ao chegar na loja, falou com a mulher como se nada houvesse acontecido.
- Oi queridinha, tudo bem? Tá lembrada de mim? Eu vim aqui na loja querendo trocar aquela roupa de cama HORROROSA que meu marido "comprou". Posso falar com o dono antes?
A mulher, que não queria escândalos na loja, achou melhor fazer aquilo que ela pedia e a levou até o dono da loja.
- Olhe senhor, vou ser bem direta e não tomarei o seu tempo. É o seguinte, o senhor sabe que aqui é loja de cidade pequena onde as fofocas se espalham rapidamente. Então vim logo avisar o que está ocorrendo, para que assim o senhor possa tomar uma atitude. A sua gerente está saindo com um homem casado, a cidade inteira já está comentando, e o pior de tudo é que dá presentes da sua loja para ele. Estou falando do meu marido, lá em casa estamos com muitas roupas de cama da sua loja que ele andou ganhando dela.
O homem enlouqueceu.
- Mas como pode isso? Eu namoro com ela! Dei o emprego que ela tem hoje e tudo o que tem na casa dela, e é assim que ela me agradece? Me traindo? Não aceitarei isto não!
O resultado disso tudo não poderia ser outro, o dono da loja pegou todos os presentes que havia dado para a mulher, a demitiu e a vingança de Valquíria foi melhor do que o esperado, já que ela nem sequer sabia que a mulher namorava o dono da loja.
Hoje, Valquíria não está mais casada, mas a experiência da vingança marcou não só ela, como os habitantes daquela cidade. Acredito também que agora, ninguém mais ousará mexer com ela, afinal de contas, a cidade é pequena e as fofocas costumam a se espalhar rapidamente.

quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

Os amigos homens são como as amigas mulheres

Eu sempre tive uma relação bem legal com os meus amigos homens, uma relação bem aberta, no bom sentido obviamente. Enfim, relações sem frescuras por assim dizer, onde eu nunca precisei selecionar ou filtrar determinados assuntos.
O que acontece é que, quando você tem relações desse tipo, isso leva a famosa "liberdade entre amigos". Ou seja, os comentários, as piadas, as dicas, os conselhos e os desabafos passam a não ter limite.
Para entender melhor como cheguei a conclusão do título desse post, é preciso deixar claro que cresci num prédio onde só haviam meninos, e isso fez com que eu tivesse mais amigos homens do que amigas mulheres. Esse fato me ajudou a perceber, com o tempo, que os meus amigos homens eram exatamente como as minhas amigas mulheres, ou vice-versa.


Os amigos homens desabafam
, assim como as amigas mulheres, eles se enganam com o sexo oposto e caem nas mesmas armadilhas da conquista.
Um exemplo que me lembro bem, vem do meu amigo Antoni.
- Ah Vanessa... Você sabe que TUDO acontece comigo nessa vida...
- Que que houve Antoni?
- Você acredita que fui dar em cima de uma menina e ela me disse "Meu bem, da fruta que você gosta eu tenho de SOBRA!"?
Para ficar mais evidente a semelhança, eu conheço pelo menos umas três amigas que já se interessaram por alguém que já tinha de SOBRA da fruta que elas queriam. 

Os amigos homens também se metem na sua vida, assim como as amigas mulheres, eles dão conselhos bons e ruins.
Um conselho que me veio em mente agora foi de três amigos meus, cuja a liberdade entre nós é grande, já que somos amigos de infância. Bartolomeu, Rodolfo e Guilherme me disseram:
- É Vanessa, eu tava pensando aqui... Se eu fosse mulher, eu só pegava homem rico!
E assim como as boa amigas que tenho, os bons amigos apoiaram e concordaram com ele:
- É mesmo doido, você tem toda a razão!
Uma pequena observação sobre esse fato: Nenhum deles é rico, e se isso é um bom conselho ou não, fica a critério do leitor.

Continuando com os conselhos, os amigos homens ficam do seu lado, assim como as amigas mulheres, eles buscam uma cura para o fora que você levou e odeiam aqueles que te fazem sofrer, mesmo que ele seja do mesmo sexo que o dele.
Certa vez, numa dor de cotovelo misturada com a indecisão de uma possível volta com um ex, Sidney me disse:
- Olha Vanessa, se você quiser um remédio péssimo, mas eficaz, é o seguinte: volta com ele e depois de duas semanas dá um pé na bunda dele. Vai ser horrível, mas você vai se sentir melhor logo depois, acredite! 

Os amigos homens te fazem se sentir bem em um dia ruim, assim como as amigas mulheres, eles estão dispostos a dizerem coisas que você nem imagina, como o próprio Benjamin fez comigo uma vez.
- Vanessa, você é uma mulher fálica!
- Fálica? O que é fálica?
- Fálica vem de falo, falo = pênis... Ou seja, você é uma mulher independente e completa. Tá meu bem?

E com isso eu posso encerrar dizendo que, por incrível que pareça, eles fazem com que eu me sinta sempre bem, assim como as minhas amigas mulheres.

domingo, 18 de outubro de 2009

A verdade sobre as perguntas de um ex-namorado

Nós sabemos que quando nos tornamos "ex" de alguém, o clima estranho prevalece pelo menos por algum tempo. A palavra ex, não fica somente na palavra ex-namorado, a pessoa passa a ser "ex-muitasoutrascoisas", por exemplo, "ex-sabetudodele" ou "ex-podeperguntartudo".
Isso me lembra que, em se tratando de um namoro recém acabado, os assuntos ficam bem restritos, pois até mesmo as perguntas mais comuns podem ter um outro sentido, assim como suas respostas também.


Estávamos eu e Benjamin Otávio, ambos com insônia, numa dessas madrugadas ociosas no bate-papo. Resolvemos então, como ele mesmo disse, "canalizar e sublimar nossas experiências em algo proveitoso". Começamos a falar dos exs e de como suas perguntas poderiam ter significados diferentes da questão real da pergunta. Posso até dizer que me identifico com algumas coisas, outras nem tanto, porém, com certeza muitas outras pessoas se identificarão, já que é um post baseado em muitas opiniões.
Chegamos à conclusão de que uma regra essencial, para se conversar com um ex, é a de não estar bêbado, pois assim fica mais fácil de manipular e responder as perguntas que o mesmo poderá vir a fazer. 

- Tudo bem?
Essa pergunta também pode ser traduzida para "Você está bem agora que não estou mais na sua vida?".
Ok, eu confesso que é uma pergunta normal, do tipo que se faz para qualquer pessoa, mas quando é vinda de um recente ex-namorado sempre há o que se desconfiar.
É claro que a resposta sempre será um "Tudo ótimo!", afinal de contas, você não dará o braço a torcer jamais! Essa é a resposta mais adequada para tal situação, pois demonstra que, mesmo com o relacionamento tendo acabado, você foi superior a tudo e está muito bem sem ele, mesmo que isso não seja verdade. Ou seja, você pode estar sem paquera, sem dinheiro, feia, depressiva, e mesmo assim dirá de uma maneira indireta que tudo está ótimo sem ele. 

- Você ainda sente algo por mim?
Dizem que esta pergunta pode significar "Você ainda me ama?".
Alguns exs precisam massagear o ego, mesmo que ele não ame você, ele vai achar ótimo que você ainda o ame. Esse tipo de atitude também é conhecida como "sentimento de posse", pois isso "prova" o quão "demais" ele é. Não seja burra, é claro que existem sentimentos, eles sempre existirão! Afinal de contas, todo mundo sabe que ódio também é um sentimento! 

- Você ainda lembra de mim?
Muitas vezes essa pergunta é uma maneira disfarçada de perguntar "Você ainda chora por mim?".
Não há muito o que se comentar nesse caso, talvez você ainda chore, talvez não, mas uma coisa é certa, a melhor resposta para essa pergunta seria um "É claro que lembro meu querido, eu tive foi raiva, não Alzheimer". 

- Tá namorando?
Essa pergunta também é conhecida como "Você me superou?".
Uma pergunta chata e sem saída. Como vocês acabaram, isso deveria ser a coisa que menos interessa para ambos, além do mais o Orkut serve para tirar esse tipo de dúvida.
Se você disser que sim, vai parecer que você foi uma insensível, que o esqueceu logo. Se você disser que não, vai parecer que você ainda não conseguiu superar o rompimento. Então leitores, essa pergunta não tem saída, é "sim" ou "não" e ponto, sem mais delongas. 

- Lembra daquele dia?
Algumas vezes isso quer dizer "Ah queridinha, vamos relembrar o passado e ver que tipo de reações químicas ocorrerão em nossas mentes e corpos".
Você pode optar por mentir, dizer que não lembra. Isso sempre parece mais adequado a situação, mas nunca é verdadeiro e sincero, e ele provavelmente vai saber que você está mentindo. Desenterrar o passado, ainda mais quando ele é recente, nunca é bom, então opte sempre pela verdade, mas uma verdade seca, dizendo apenas "lembro", nada de "lembro, foi legal" ou "lembro, foi engraçado", somente "lembro". 

- Podemos ser amigos?
Totalmente compreensivo, porque na verdade isso quer dizer "Vamos fazer de conta que somos amigos?".
O relacionamento acaba de terminar, e a pessoa já quer ser sua amiga como se nada tivesse acontecido, tenha a santa paciência! Assim, sendo bem legal, amigo amigooo, não vai rolar não, mas nós podemos manter as aparências e fazermos um social quando nos encontrarmos por acaso.

Por isso, muito cuidado da próxima vez em que for fazer perguntas para seu ex ou ser questionada pelo mesmo. Uma simples pergunta pode não ser feita no seu real sentido, nem para você e nem para ele.

Obs de Vanessa: Meus exs, não me levem a mal, adoro todos vocês.
Obs de Benjamin: Meus exs, não me levem a mal, adoro todos vocês. Mas quero distância, por favor.

domingo, 30 de agosto de 2009

Nem pra te responder

Karina e eu, havíamos sido convidadas para um jantar na casa de um amigo em comum. Como nós não sabíamos exatamente aonde ficava a casa dele, nos perdemos algumas vezes no caminho.
Algumas voltas depois, paramos num semáforo próximo a casa dele. E nesse mesmo semáforo, dois caras com sotaque de outra cidade pararam ao nosso lado:

 

- Psiu, ei garotas!
Como pessoas educadas que somos, demos atenção aos turistas, talvez até por acreditar que eles iriam pedir informações sobre aonde ficava algum lugar.
- Vocês não querem sair pra jantar?
E educadamente a gente respondeu...
- Não, não...
Até parece que nós iríamos sair para jantar com dois turistas que nunca havíamos visto na vida.
- Nem pra tomar uma cervejinha?
E educadamente a gente respondeu...
- Não, não...
Se jantar não rola, piorou "tomar uma cervejinha".
- Nem pra dançar?
E educadamente a gente respondeu...
- Não, não...
Todo mundo sabe que, tratando-se de cantadas, existe a universal "regra do três". A "regra do três" nos mostra que se você tentou algo três vezes e isso não deu certo, é porque essa coisa não é para acontecer. Se você insiste em ultrapassar o limite da "regra do três", a coisa só tende a piorar.
- Nem pra dar beijinho?
Meu querido, entenda, se eu não quero jantar, nem "tomar uma cervejinha" e nem dançar com você, piorou "dar beijinho". Então por que continuar insistindo nisso?
Considerando que a "regra do três" foi quebrada, você tem todo o direito de começar a ignorar essas pessoas sem estar sendo mal educada e sem que elas possam reclamar de tal atitude.
- Nem pra dormir junto?
Não, não, não, peraí! Por que agora que vocês falaram nisso, eu realmente percebi que quero demais! Com certeza essa é a melhor opção entre todas as anteriores que nos foram propostas! Aliás, por que vocês não começaram por essa opção? 

Bem, nesse caso, a gente ganha o direito de responder qualquer coisa que vier a mente. Então observem as possíveis respostas para os turistas:
1 - Resposta da "mulher da vida": Meu querido, me desculpe, mas é que nós só trabalhamos com carros de luxo, tipo Hilux ou acima disso... Grata pela sua atenção!
2 - Resposta da "mulher que pega ar": Seu palhaço, eu não quero nem olhar na sua cara, quanto mais fazer qualquer outra coisa com você! Vai dormir com a sua mãe!
3 - Resposta da "mulher preconceituosa": Se você queria isso, deveria ter ficado pela sua cidade mesmo, soube que por lá o negócio é bem mais fácil do que aqui.
Entretanto, nós ficamos com a resposta daquelas mulheres que estão acima desse tipo de gente:
Optamos pela indiferença ao ignorá-los, deixando eles para trás não só nesse sentido, mas no semáforo também. 

Referências:
* Indiferença: uma doença que mata. Luteranos. Disponível em http://www.luteranos.com.br/mensagem/2004_022.html

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

Micareta de picareta

A Micareta, ou "Carnaval fora de época", é conhecida:
- Pelos Abadás: blusa que é a "dor de cabeça" das garotas. Não tem saída: é cortar, fazer seu modelo, costurar e amarrar. É um mau necessário, pois ninguém quer ir parecendo um saco de batatas;
- Pela grande quantidade de foliões suados: esse número pode variar de 7 pessoas/m² (quando ainda é possível respirar) para 15 pessoas/m² (quando as chances de morrer por asfixia e pisoteado aumentam em 77%);
- Pela música Axé: é tocada num volume tão alto, que se você estiver ao lado do carro (onde ficam as caixas de som) você precisa tapar os ouvidos literalmente;
- Pelos bêbados: eles bebem por duas razões básicas, a típica desculpa de "festa sem bebida não é festa", e encorajarem-se para beijar o máximo de meninas possíveis.
Isso nos leva ao principal motivo pelo qual as pessoas vão para a Micareta. Nas palavras de Cláudia Leitte:
"Eu ando muito a fim de experimentar, meter o pé na jaca sem ter que me preocupar. Eu quero mais, mais, mais, mais... Eu quero mais é beijar na boca! Eu quero mais é beijar na boca! Eu quero mais é beijar na boca! E ser feliz daqui pra frente... pra sempre".
Sim, a Micareta é especialmente conhecida como o dia do ano em que você vai "sair da seca", oportunidade para beijar é o que não falta.

Nesse ano, pela primeira vez na minha vida, decidi participar de uma Micareta, fomos eu, meu amigo Vinicius, minha amiga Deyse e seu namorado Thomas. Os números não mentem, eu fui no último dia e no último bloco da Micareta (e ainda cheguei atrasada) e 22 caras tentaram me beijar, desconsiderando os olhares perigosos.

Foto por Juliana Coutinho

Desses 22 caras que tentaram me beijar, surgiram algumas pérolas, pérolas que me fizeram lembrar do termo "picareta" que, "No jargão popular brasileiro, esta palavra também é empregada para designar pessoas que executam serviços sem pleno conhecimento profissional para tanto, resultando, frequentemente, em trabalhos de qualidade questionável também conhecidos por "picaretagem" *. Ou seja, meus caros 22 foliões, as cantadas e tentativas de executar o "serviço" de vocês foram sem nenhum conhecimento profissional, gerando atos e frases de qualidade questionável conhecidos por "picaretagem".

Ao chegar na Micareta entreguei meu ingresso, passei pela catraca e, por último, passei pela revista. Dei 3 passos para frente, e aconteceu a "abordagem" mais rápida da história:
- E aí belezinhaaa???
Apenas olhei para frente como quem procura alguém.
- Vixe, você tá com namorado? Me desculpa!
Ufa... Essa foi por pouco, quase comprovei que na Micareta ninguém é de ninguém mesmo! A "lenda" da Micareta é dizer que a galera vai te forçar a beijar, confesso que existem diversas tentativas e diferentes táticas, mas isso não significa que vão pegar no seu pescoço e tentar te asfixiar. Minto, vão sim, aconteceu comigo.
Foi assustador quando um picareta agarrou meu pescoço de lado e apertou minha garganta. Por sorte, Vinicius estava por perto, e consegui pegar na mão dele antes que algo pior acontecesse.
- Que foi Vanessa?
No mesmo segundo voltei a respirar. Ficamos pensando que aquela atitude só poderia significar duas coisas, ou ele era um psicopata de Micaretas, ou aquilo era realmente uma nova tática para beijar.
Por falar em táticas, houveram aqueles que utilizaram a "tática do pedinte de beijos", que consiste apenas em estender a mão na direção de sua pretendida. Para cada picareta que me apareceu com essa tática, receberam um cumprimento ou um famoso "toca aqui"! Um deles até ensaiou uma cara de choro que era de dar pena... para os outros picaretas obviamente.
São essas coisas que às vezes te fazem ficar com uma cara fechada, e principalmente com um pé atrás com aqueles que você não conhece.
- Vamos dançar?
- Não quero dançar não.
- Como é que você vem pra cá... Paga caro pra tá num bloco desse... Pra ficar assim... Com essa cara de emburrada?
- Eu tô com cara de emburrada?

- Tá sim!
- É? Como tá a minha cara? Ele fez algo mais ou menos assim.
E no mesmo instante eu tive que sorrir, quem diria, um picareta me dando uma lição.

- E agora? Melhorou?
- Melhorou bastante!
Depois disso comecei a interagir com as pessoas a minha volta da maneira mais lógica, com a música que tocava. As músicas sempre ajudam os picaretas a concretizarem a picaretagem:
- "E aí? Chupa todaaa!"
- "Disse toda!"
Sim, respondi a música que o picareta cantava na intenção de não ser mais a emburrada, mas respondi a pior música que alguém poderia responder numa Micareta. O amigo dele logo percebeu:
- Ei doido! Ela disse "toda"! 
O próprio picareta cortou o barato: 
- É da uva que você tá falando? 
- Lógico que é da uva! 
Você achou que era o quê? Da minha boca? Da sua boca? Não mesmo! 
Com certeza "Tchau, I Have To Go Now" foi a minha música favorita na Micareta, ela tocou cerca de 4 vezes e foram os momentos mais fáceis para dispensar os picaretas: 
- Tchau, I Have to go now, I have to go now, tchau! 
Nem mesmo o namorado de Deyse escapou dos picaretas: 
- Oiii! Como é o seu nome linda? 
- Deyse... 
- E esse bofe? 
- Thomas, e é namorado da DEYSE! 
- Aiii, já quero! 
Depois de tamanha aventura, resolvemos comer e fazer um balanço da noite, nós, e é claro, os micareteiros da mesa vizinha a nossa: 
- Cara, só sei que quando eu beijava a menina, eu passava a língua em todos os dentes pra ver se tava tudo lá mesmo! 
É, nem psicopata e nem nova tática, mas não custava nada o picareta que agarrou meu pescoço perguntar se eu era banguela. 

Referências:
* Picareta. Wikipédia, a enciclopédia livre. Disponível em http://pt.wikipedia.org/wiki/Picareta
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