quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

Os amigos homens são como as amigas mulheres

Eu sempre tive uma relação bem legal com os meus amigos homens, uma relação bem aberta, no bom sentido obviamente. Enfim, relações sem frescuras por assim dizer, onde eu nunca precisei selecionar ou filtrar determinados assuntos.
O que acontece é que, quando você tem relações desse tipo, isso leva a famosa "liberdade entre amigos". Ou seja, os comentários, as piadas, as dicas, os conselhos e os desabafos passam a não ter limite.
Para entender melhor como cheguei a conclusão do título desse post, é preciso deixar claro que cresci num prédio onde só haviam meninos, e isso fez com que eu tivesse mais amigos homens do que amigas mulheres. Esse fato me ajudou a perceber, com o tempo, que os meus amigos homens eram exatamente como as minhas amigas mulheres, ou vice-versa.


Os amigos homens desabafam
, assim como as amigas mulheres, eles se enganam com o sexo oposto e caem nas mesmas armadilhas da conquista.
Um exemplo que me lembro bem, vem do meu amigo Antoni.
- Ah Vanessa... Você sabe que TUDO acontece comigo nessa vida...
- Que que houve Antoni?
- Você acredita que fui dar em cima de uma menina e ela me disse "Meu bem, da fruta que você gosta eu tenho de SOBRA!"?
Para ficar mais evidente a semelhança, eu conheço pelo menos umas três amigas que já se interessaram por alguém que já tinha de SOBRA da fruta que elas queriam. 

Os amigos homens também se metem na sua vida, assim como as amigas mulheres, eles dão conselhos bons e ruins.
Um conselho que me veio em mente agora foi de três amigos meus, cuja a liberdade entre nós é grande, já que somos amigos de infância. Bartolomeu, Rodolfo e Guilherme me disseram:
- É Vanessa, eu tava pensando aqui... Se eu fosse mulher, eu só pegava homem rico!
E assim como as boa amigas que tenho, os bons amigos apoiaram e concordaram com ele:
- É mesmo doido, você tem toda a razão!
Uma pequena observação sobre esse fato: Nenhum deles é rico, e se isso é um bom conselho ou não, fica a critério do leitor.

Continuando com os conselhos, os amigos homens ficam do seu lado, assim como as amigas mulheres, eles buscam uma cura para o fora que você levou e odeiam aqueles que te fazem sofrer, mesmo que ele seja do mesmo sexo que o dele.
Certa vez, numa dor de cotovelo misturada com a indecisão de uma possível volta com um ex, Sidney me disse:
- Olha Vanessa, se você quiser um remédio péssimo, mas eficaz, é o seguinte: volta com ele e depois de duas semanas dá um pé na bunda dele. Vai ser horrível, mas você vai se sentir melhor logo depois, acredite! 

Os amigos homens te fazem se sentir bem em um dia ruim, assim como as amigas mulheres, eles estão dispostos a dizerem coisas que você nem imagina, como o próprio Benjamin fez comigo uma vez.
- Vanessa, você é uma mulher fálica!
- Fálica? O que é fálica?
- Fálica vem de falo, falo = pênis... Ou seja, você é uma mulher independente e completa. Tá meu bem?

E com isso eu posso encerrar dizendo que, por incrível que pareça, eles fazem com que eu me sinta sempre bem, assim como as minhas amigas mulheres.

domingo, 18 de outubro de 2009

A verdade sobre as perguntas de um ex-namorado

Nós sabemos que quando nos tornamos "ex" de alguém, o clima estranho prevalece pelo menos por algum tempo. A palavra ex, não fica somente na palavra ex-namorado, a pessoa passa a ser "ex-muitasoutrascoisas", por exemplo, "ex-sabetudodele" ou "ex-podeperguntartudo".
Isso me lembra que, em se tratando de um namoro recém acabado, os assuntos ficam bem restritos, pois até mesmo as perguntas mais comuns podem ter um outro sentido, assim como suas respostas também.


Estávamos eu e Benjamin Otávio, ambos com insônia, numa dessas madrugadas ociosas no bate-papo. Resolvemos então, como ele mesmo disse, "canalizar e sublimar nossas experiências em algo proveitoso". Começamos a falar dos exs e de como suas perguntas poderiam ter significados diferentes da questão real da pergunta. Posso até dizer que me identifico com algumas coisas, outras nem tanto, porém, com certeza muitas outras pessoas se identificarão, já que é um post baseado em muitas opiniões.
Chegamos à conclusão de que uma regra essencial, para se conversar com um ex, é a de não estar bêbado, pois assim fica mais fácil de manipular e responder as perguntas que o mesmo poderá vir a fazer. 

- Tudo bem?
Essa pergunta também pode ser traduzida para "Você está bem agora que não estou mais na sua vida?".
Ok, eu confesso que é uma pergunta normal, do tipo que se faz para qualquer pessoa, mas quando é vinda de um recente ex-namorado sempre há o que se desconfiar.
É claro que a resposta sempre será um "Tudo ótimo!", afinal de contas, você não dará o braço a torcer jamais! Essa é a resposta mais adequada para tal situação, pois demonstra que, mesmo com o relacionamento tendo acabado, você foi superior a tudo e está muito bem sem ele, mesmo que isso não seja verdade. Ou seja, você pode estar sem paquera, sem dinheiro, feia, depressiva, e mesmo assim dirá de uma maneira indireta que tudo está ótimo sem ele. 

- Você ainda sente algo por mim?
Dizem que esta pergunta pode significar "Você ainda me ama?".
Alguns exs precisam massagear o ego, mesmo que ele não ame você, ele vai achar ótimo que você ainda o ame. Esse tipo de atitude também é conhecida como "sentimento de posse", pois isso "prova" o quão "demais" ele é. Não seja burra, é claro que existem sentimentos, eles sempre existirão! Afinal de contas, todo mundo sabe que ódio também é um sentimento! 

- Você ainda lembra de mim?
Muitas vezes essa pergunta é uma maneira disfarçada de perguntar "Você ainda chora por mim?".
Não há muito o que se comentar nesse caso, talvez você ainda chore, talvez não, mas uma coisa é certa, a melhor resposta para essa pergunta seria um "É claro que lembro meu querido, eu tive foi raiva, não Alzheimer". 

- Tá namorando?
Essa pergunta também é conhecida como "Você me superou?".
Uma pergunta chata e sem saída. Como vocês acabaram, isso deveria ser a coisa que menos interessa para ambos, além do mais o Orkut serve para tirar esse tipo de dúvida.
Se você disser que sim, vai parecer que você foi uma insensível, que o esqueceu logo. Se você disser que não, vai parecer que você ainda não conseguiu superar o rompimento. Então leitores, essa pergunta não tem saída, é "sim" ou "não" e ponto, sem mais delongas. 

- Lembra daquele dia?
Algumas vezes isso quer dizer "Ah queridinha, vamos relembrar o passado e ver que tipo de reações químicas ocorrerão em nossas mentes e corpos".
Você pode optar por mentir, dizer que não lembra. Isso sempre parece mais adequado a situação, mas nunca é verdadeiro e sincero, e ele provavelmente vai saber que você está mentindo. Desenterrar o passado, ainda mais quando ele é recente, nunca é bom, então opte sempre pela verdade, mas uma verdade seca, dizendo apenas "lembro", nada de "lembro, foi legal" ou "lembro, foi engraçado", somente "lembro". 

- Podemos ser amigos?
Totalmente compreensivo, porque na verdade isso quer dizer "Vamos fazer de conta que somos amigos?".
O relacionamento acaba de terminar, e a pessoa já quer ser sua amiga como se nada tivesse acontecido, tenha a santa paciência! Assim, sendo bem legal, amigo amigooo, não vai rolar não, mas nós podemos manter as aparências e fazermos um social quando nos encontrarmos por acaso.

Por isso, muito cuidado da próxima vez em que for fazer perguntas para seu ex ou ser questionada pelo mesmo. Uma simples pergunta pode não ser feita no seu real sentido, nem para você e nem para ele.

Obs de Vanessa: Meus exs, não me levem a mal, adoro todos vocês.
Obs de Benjamin: Meus exs, não me levem a mal, adoro todos vocês. Mas quero distância, por favor.

domingo, 30 de agosto de 2009

Nem pra te responder

Karina e eu, havíamos sido convidadas para um jantar na casa de um amigo em comum. Como nós não sabíamos exatamente aonde ficava a casa dele, nos perdemos algumas vezes no caminho.
Algumas voltas depois, paramos num semáforo próximo a casa dele. E nesse mesmo semáforo, dois caras com sotaque de outra cidade pararam ao nosso lado:

 

- Psiu, ei garotas!
Como pessoas educadas que somos, demos atenção aos turistas, talvez até por acreditar que eles iriam pedir informações sobre aonde ficava algum lugar.
- Vocês não querem sair pra jantar?
E educadamente a gente respondeu...
- Não, não...
Até parece que nós iríamos sair para jantar com dois turistas que nunca havíamos visto na vida.
- Nem pra tomar uma cervejinha?
E educadamente a gente respondeu...
- Não, não...
Se jantar não rola, piorou "tomar uma cervejinha".
- Nem pra dançar?
E educadamente a gente respondeu...
- Não, não...
Todo mundo sabe que, tratando-se de cantadas, existe a universal "regra do três". A "regra do três" nos mostra que se você tentou algo três vezes e isso não deu certo, é porque essa coisa não é para acontecer. Se você insiste em ultrapassar o limite da "regra do três", a coisa só tende a piorar.
- Nem pra dar beijinho?
Meu querido, entenda, se eu não quero jantar, nem "tomar uma cervejinha" e nem dançar com você, piorou "dar beijinho". Então por que continuar insistindo nisso?
Considerando que a "regra do três" foi quebrada, você tem todo o direito de começar a ignorar essas pessoas sem estar sendo mal educada e sem que elas possam reclamar de tal atitude.
- Nem pra dormir junto?
Não, não, não, peraí! Por que agora que vocês falaram nisso, eu realmente percebi que quero demais! Com certeza essa é a melhor opção entre todas as anteriores que nos foram propostas! Aliás, por que vocês não começaram por essa opção? 

Bem, nesse caso, a gente ganha o direito de responder qualquer coisa que vier a mente. Então observem as possíveis respostas para os turistas:
1 - Resposta da "mulher da vida": Meu querido, me desculpe, mas é que nós só trabalhamos com carros de luxo, tipo Hilux ou acima disso... Grata pela sua atenção!
2 - Resposta da "mulher que pega ar": Seu palhaço, eu não quero nem olhar na sua cara, quanto mais fazer qualquer outra coisa com você! Vai dormir com a sua mãe!
3 - Resposta da "mulher preconceituosa": Se você queria isso, deveria ter ficado pela sua cidade mesmo, soube que por lá o negócio é bem mais fácil do que aqui.
Entretanto, nós ficamos com a resposta daquelas mulheres que estão acima desse tipo de gente:
Optamos pela indiferença ao ignorá-los, deixando eles para trás não só nesse sentido, mas no semáforo também. 

Referências:
* Indiferença: uma doença que mata. Luteranos. Disponível em http://www.luteranos.com.br/mensagem/2004_022.html

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

Micareta de picareta

A Micareta, ou "Carnaval fora de época", é conhecida:
- Pelos Abadás: blusa que é a "dor de cabeça" das garotas. Não tem saída: é cortar, fazer seu modelo, costurar e amarrar. É um mau necessário, pois ninguém quer ir parecendo um saco de batatas;
- Pela grande quantidade de foliões suados: esse número pode variar de 7 pessoas/m² (quando ainda é possível respirar) para 15 pessoas/m² (quando as chances de morrer por asfixia e pisoteado aumentam em 77%);
- Pela música Axé: é tocada num volume tão alto, que se você estiver ao lado do carro (onde ficam as caixas de som) você precisa tapar os ouvidos literalmente;
- Pelos bêbados: eles bebem por duas razões básicas, a típica desculpa de "festa sem bebida não é festa", e encorajarem-se para beijar o máximo de meninas possíveis.
Isso nos leva ao principal motivo pelo qual as pessoas vão para a Micareta. Nas palavras de Cláudia Leitte:
"Eu ando muito a fim de experimentar, meter o pé na jaca sem ter que me preocupar. Eu quero mais, mais, mais, mais... Eu quero mais é beijar na boca! Eu quero mais é beijar na boca! Eu quero mais é beijar na boca! E ser feliz daqui pra frente... pra sempre".
Sim, a Micareta é especialmente conhecida como o dia do ano em que você vai "sair da seca", oportunidade para beijar é o que não falta.

Nesse ano, pela primeira vez na minha vida, decidi participar de uma Micareta, fomos eu, meu amigo Vinicius, minha amiga Deyse e seu namorado Thomas. Os números não mentem, eu fui no último dia e no último bloco da Micareta (e ainda cheguei atrasada) e 22 caras tentaram me beijar, desconsiderando os olhares perigosos.

Foto por Juliana Coutinho

Desses 22 caras que tentaram me beijar, surgiram algumas pérolas, pérolas que me fizeram lembrar do termo "picareta" que, "No jargão popular brasileiro, esta palavra também é empregada para designar pessoas que executam serviços sem pleno conhecimento profissional para tanto, resultando, frequentemente, em trabalhos de qualidade questionável também conhecidos por "picaretagem" *. Ou seja, meus caros 22 foliões, as cantadas e tentativas de executar o "serviço" de vocês foram sem nenhum conhecimento profissional, gerando atos e frases de qualidade questionável conhecidos por "picaretagem".

Ao chegar na Micareta entreguei meu ingresso, passei pela catraca e, por último, passei pela revista. Dei 3 passos para frente, e aconteceu a "abordagem" mais rápida da história:
- E aí belezinhaaa???
Apenas olhei para frente como quem procura alguém.
- Vixe, você tá com namorado? Me desculpa!
Ufa... Essa foi por pouco, quase comprovei que na Micareta ninguém é de ninguém mesmo! A "lenda" da Micareta é dizer que a galera vai te forçar a beijar, confesso que existem diversas tentativas e diferentes táticas, mas isso não significa que vão pegar no seu pescoço e tentar te asfixiar. Minto, vão sim, aconteceu comigo.
Foi assustador quando um picareta agarrou meu pescoço de lado e apertou minha garganta. Por sorte, Vinicius estava por perto, e consegui pegar na mão dele antes que algo pior acontecesse.
- Que foi Vanessa?
No mesmo segundo voltei a respirar. Ficamos pensando que aquela atitude só poderia significar duas coisas, ou ele era um psicopata de Micaretas, ou aquilo era realmente uma nova tática para beijar.
Por falar em táticas, houveram aqueles que utilizaram a "tática do pedinte de beijos", que consiste apenas em estender a mão na direção de sua pretendida. Para cada picareta que me apareceu com essa tática, receberam um cumprimento ou um famoso "toca aqui"! Um deles até ensaiou uma cara de choro que era de dar pena... para os outros picaretas obviamente.
São essas coisas que às vezes te fazem ficar com uma cara fechada, e principalmente com um pé atrás com aqueles que você não conhece.
- Vamos dançar?
- Não quero dançar não.
- Como é que você vem pra cá... Paga caro pra tá num bloco desse... Pra ficar assim... Com essa cara de emburrada?
- Eu tô com cara de emburrada?

- Tá sim!
- É? Como tá a minha cara? Ele fez algo mais ou menos assim.
E no mesmo instante eu tive que sorrir, quem diria, um picareta me dando uma lição.

- E agora? Melhorou?
- Melhorou bastante!
Depois disso comecei a interagir com as pessoas a minha volta da maneira mais lógica, com a música que tocava. As músicas sempre ajudam os picaretas a concretizarem a picaretagem:
- "E aí? Chupa todaaa!"
- "Disse toda!"
Sim, respondi a música que o picareta cantava na intenção de não ser mais a emburrada, mas respondi a pior música que alguém poderia responder numa Micareta. O amigo dele logo percebeu:
- Ei doido! Ela disse "toda"! 
O próprio picareta cortou o barato: 
- É da uva que você tá falando? 
- Lógico que é da uva! 
Você achou que era o quê? Da minha boca? Da sua boca? Não mesmo! 
Com certeza "Tchau, I Have To Go Now" foi a minha música favorita na Micareta, ela tocou cerca de 4 vezes e foram os momentos mais fáceis para dispensar os picaretas: 
- Tchau, I Have to go now, I have to go now, tchau! 
Nem mesmo o namorado de Deyse escapou dos picaretas: 
- Oiii! Como é o seu nome linda? 
- Deyse... 
- E esse bofe? 
- Thomas, e é namorado da DEYSE! 
- Aiii, já quero! 
Depois de tamanha aventura, resolvemos comer e fazer um balanço da noite, nós, e é claro, os micareteiros da mesa vizinha a nossa: 
- Cara, só sei que quando eu beijava a menina, eu passava a língua em todos os dentes pra ver se tava tudo lá mesmo! 
É, nem psicopata e nem nova tática, mas não custava nada o picareta que agarrou meu pescoço perguntar se eu era banguela. 

Referências:
* Picareta. Wikipédia, a enciclopédia livre. Disponível em http://pt.wikipedia.org/wiki/Picareta

quarta-feira, 22 de julho de 2009

Matuto, matuta, noivo, noiva ou padre?

Basicamente, numa festa de São João convencional, existem cinco tipos de personagens fundamentais:
Os matutos: que são os homens com chapéu de palha, blusa quadriculada, calça jeans e bigode pintado, caso não possuam bigode de verdade.
As matutas: que são as mulheres com vestidos coloridos, tranças no cabelo e pintinhas no rosto.
O noivo: que quase sempre é um matuto, só que um pouco mais arrumado que o matuto típico. Muita vezes, a diferença está apenas no fato de que eles colocam um paletó por cima da roupa de matuto.
A noiva: que, obviamente, estará vestida de branco com véu na cabeça e pintinhas no rosto assim como as matutas.
E o padre: que vai de batina marrom ou preta e torna possível o casamento do noivo com a noiva.
A partir dessas descrições, eu faço a seguinte pergunta: Se você quisesse se dar bem, beijar muitos matutos ou muitas matutas que vão para a noite da festa de São João, qual destes trajes você escolheria para vestir-se?
É quase certo que aqueles que vão de noivo ou noiva já tem o seu par predeterminado, pois afinal de contas, eles irão casar. Os casais de namorados são mestres em irem fantasiados de noivo e noiva, até porque já fica expresso "Tenho compromisso com alguém".
O padre, coitado, sua função é a de casar os noivos e sair juntando casais durante a festa de São João. Fora o fato de que o seu traje, a batina, é a menos convidativa e atrativa para os que ali estão.
Então, pela lógica, só te restou ir de matuto ou matuta para se dar bem, não é mesmo? Errado!
Tomei um susto quando vi meu amigo, Benjamin Otávio, vestir-se de padre minutos antes de entrarmos em um São João. Eu, particularmente, sempre fui de matuta, e ao contrário das minhas amigas que iam vestidas de noivas, sempre era mais cantada por conta do traje.
Porém, Benjamin Otávio me provou o contrário: ser padre chama mais fiéis para "sua Igreja" do que matutos para minha quadrilha. Isso ficou evidente com as cantadas que ele recebeu no São João, não só dessa festa, como de outras festas de São João também desse ano.
Preciso dizer que, logo na entrada, todos já olhavam para ele. Claro, além de bonito, ele também chamava a atenção por ser o único padre da festa. Daí então, só foi cantada em cima de cantada, mas as que ficaram guardadas são justamente aquelas que se relacionavam ao fato dele "ser um padre".
Ao ir comprar cerveja, uma menina que estava comprando um selinho na Barraca do Beijo para ela, foi pega de surpresa ao ver a amiga roubar o beijo que ela havia comprado. Ao olhar para o lado, viu Benjamin com sua batina. Triste por ter perdido o beijo e sem vergonha nenhuma, ela perguntou:
- Onde você alugou essa roupa não tinha roupa de freira também não, para eu entrar no seu convento?
A festa continuou, e outra moça que olhava para ele, acabou pegando na batina dele. Ela era meio desprovida de beleza física, então, para se safar daquela situação, ele disse:
- Pegou na batina casou minha filha!
- Ai é? E se eu quiser casar com o padre?
- Sou celibatário!
O sucesso foi tanto que ele repetiu a dose, vestiu-se de padre em outra festa de São João. Por coincidência acabou recebendo a mesma cantada, dessa vez era de uma bela moça:
- E se eu quiser casar com o padre?
- O padre só pode dar um selinho minha filha! E um selinho pode!
- Então tá, né?
E ainda teve matuto que sentiu inveja desse sucesso todo, e para não ficar por baixo soltou:
- Ah, eu também vou já é me vestir de padre!
- Pois a gente vai ter que disputar nessa paróquia quem tem mais fiéis!
Outro matuto tentou amenizar o "clima hostil":
- Eu acho que os padres que é que vão se resolver.
E para não ficar por baixo também, Benjamin disse:
- Pois mais tarde, meia-noite, você me encontre atrás da Igreja que a gente se resolve bem direitinho!
E agora? Matuto, matuta, noivo, noiva ou padre no próximo São João?
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